Fratura supracondiliana do cotovelo de criança

By thiago.md 9 meses ago
Home  /  Cotovelo  /  Fratura supracondiliana do cotovelo de criança

É a fratura mais comum do cotovelo da criança. Ocorre principalmente entre 5-6 anos, mais comum em meninos e do lado esquerdo. Ela geralmente ocorre após uma queda sobre o cotovelo em extensão. O seu desvio geralmente é em extensão e para medial.

A suspeita de fratura ocorre quando a criança apresenta dor intensa e recusa de mexer o cotovelo. Pode-se observar inchaço e equimose (“roxo”na pele) na região do cotovelo.
No exame físico é importante avaliar dor em outros locais do membro superior, pois em até 1% dos casos tem fraturas associadas, como do rádio distal. Também é preciso ver se a mão está com uma boa perfusão e se não tem nenhum déficit neurológico, pois pode ocorrer lesão de vasos sanguíneos e nervos devido a fratura.

 

É necessário realizar uma radiografia em 2 posições (frente e perfil) para avaliar o desvio da fratura. Podemos classificar essa fratura em 4 tipos, de acordo com Gartland:

  • Grau 1: Há uma fratura, porém ela é sem desvio,
  • Grau 2: Há uma fratura, porém ela apresenta desvio para posterior. A cortical posterior está íntegra.
  • Grau 3: Há uma fratura e ela está totalmente desviada. Tratamento cirúrgico.
  • Grau 4: Fratura totalmente desviada e muito instável tanto em flexão como em extensão, durante a cirurgia.

Tratamento conservador: é possível nas fraturas com pouco desvio (grau 1 ou 2). É realizado uma imobilização com uma tala axilopalmar, com 90o de flexão do cotovelo. Observar se está confortável, sem muita dor e os dedos estão bem perfundidos (rosa).

Tratamento cirúrgico: quando a fratura está muito desviada é necessário internação e a fixação com fios de kirschner. Necessário em alguns casos do tipo 2 e quase todos dos tipos 3 e 4.

Alguns casos que se apresentam extremamente desviados e com perfusão ruim devem ser operados rapidamente., dentro de algumas horas.

 

Após a cirurgia a criança fica imobilizada com uma tala axilopalmar por 3-4 semanas. É necessário o acompanhamento com radiografias durante esse período. Depois é necessário a retirada do fio de kirschner.
É preciso ficar em repouso, pois caso fique movimentando o cotovelo além de quebrar a tala pode ocorrer a migração dos pinos e a perda da redução, ou seja, ocorrendo o desvio da fratura.

Complicações:
Infecção, migração dos pinos, deformidade (cúbito varo/valgo), praxia, lesão vascular e rigidez do cotovelo

Perguntas frequentes:

Os fios de kirschner podem ser retirados no consultório?
Os fios de kirschner geralmente devem ser retirados sob sedação, para ser o mais indolor possível para a criança, porém em alguns casos podem ser retirados no consultório.

É necessário fazer fisioterapia?
A literatura não indica realizar fisioterapia após esse tipo de fratura. Deve-se estimular a criança a brincar e mexer o cotovelo com a fratura cicatrizada. Claro que alguns casos, nos quais a criança se recusa a mexer o cotovelo após a consolidação da fratura é necessário fazer fisioterapia para perder o medo de mexer o cotovelo e evitar rigidez.

 

 

Categories:
  Cotovelo, Fraturas
this post was shared 0 times
 000