Ruptura do bíceps distal

By thiago.md 3 meses ago
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O tendão do bíceps é formado por 2 partes, a cabeça longa e a cabeça curta. A sua principal função é a realização da supinação do antebraço e é um flexor secundário do cotovelo. Sua lesão é rara, correspondendo a cerca de 10% das lesões do bíceps.

 

Normalmente acomete homens ao redor dos 30-50 anos, durante a contração excêntrica no movimento de levantamento de peso, com o cotovelo fletido em 90o. É comum sentir um estalo no momento da lesão evoluindo com perda de força.

Existem diversos fatores de risco como tabagismo, uso de anabolizantes e doenças sistêmicas como o Lúpus.

Ao exame físico apresenta dor na região anterior do cotovelo com inchaço e pode ficar roxo o local. Na maioria das vezes é possível observar uma deformidade em relação ao lado contra-lateral (encurtamento do tendão), o sinal do “popeye invertido” e fraqueza para flexão e supinação em comparação ao lado contra-lateral. Podemos realizar 2 manobras ao exame físico: bíceps squeeze test/Rulland e o Hook test, com uma boa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico da lesão.

 

Imagem clínica da lesão do bíceps distal esquerdo

Hook test

 

A localização mais comum é a avulsão completa da tuberosidade biciptal. Raramente ocorre uma lesão intrasubstancial.

Exames de imagem:

  • Radiografia do cotovelo: importante para avaliar se existe alguma deformidade na tuberosidade radial ou alguma fratura associada
  • Ultra-sonografia ou Ressonância Magnética: identifica a localização da lesão e a sua retração. Também identifica se é uma lesão total ou parcial.

O tratamento de escolha é cirúrgico para as lesões totais ou maiores que 50% do tendão. O tratamento conservador é de exceção, somente se o paciente for sedentário e de baixa demanda, pois se não tratado geralmente resulta em perda de força de supinação (±40%), de flexão (±30%) e a resistência.

O ideal é operar a lesão do bíceps distal em até 2 semanas, pois após esse tempo a exposição fica mais difícil e as complicações mais frequentes, sendo que em alguns casos pode até ser necessário o uso de enxerto de tendão de outras localização.

Existem diversos tipos de técnicas de fixação: pontos transósseo, âncoras, endobutton e parafuso de interferência. Também existem 2 técnicas principais: com 1 via cirúrgica ou 2 vias. Cada técnica tem vantagens e desvantagens, sendo necesssário discutir com o seu médico a opção de tratamento.

Técnicas de fixação do bíceps distal: A (Âncoras), B (fixação com ponto transósseo), C (parafuso de interferência) e D (endobutton)

No pós-operatório o ideal é utilizar tala axilopalmar por 2 semana, até a retirada dos pontos. Depois iniciamos o ganho de arco de movimento. O fortalecimento é iniciado com 12-16 semanas
Complicações: re-rotura (4%), ossificação heterotópica (7%), sinostose radio-ulnar, limitação do arco de movimento e déficit neurológico.

Category:
  Lesões
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