Fratura de clavícula

By thiago.md 11 meses ago
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A clavícula é um osso importante que liga o esqueleto axial ao membro superior. É uma fratura comum, correspondendo a cerca de 3% de todas as fraturas. Acomete principalmente homens jovens com idade abaixo de 20 anos, após uma queda sobre o ombro.

A maioria (80-85%) das fraturas da clavícula ocorrem no terço médio. Geralmente apresente um inchaço, a pele fica arroxeada localmente e há estalidos no ombro com a movimentação. O desvio da fratura geralmente ocorre devido as inserções musculares, sendo geralmente o fragmento distal deslocado inferiormente e o fragmento medial elevado, dando a impressão do ombro caído.

O exame inicial que deve ser realizado é uma radiografia. A tomografia computadorizada normalmente não é necessária, sendo realizada em casos complexos ou fraturas da região medial.
Essas fraturas, quando com pouco desvio, podem ser tratadas conservadoramente com imobilização. O tratamento conservador é realizado com uma imobilização em “8” ou uma tipóia simples para conforto do paciente por um período de 2 a 6 semanas. Não existe evidência de que um tipo de imobilização é melhor que o outro. Os riscos do tratamento conservador são pseudartrose, consolidação viciosa, dor crônica.

 

Nos estudos mais recentes tem-se cada vez mais optado pelo tratamento cirúrgico, uma vez que a taxa de pseudartrose (não consolidação), gira em torno de 15% com o tratamento conservador, principalmente nas fraturas com desvio ou encurtamento maior que 2 cm, cominuição, fraturas em “Z” e eminência de exposição. Atualmente outra indicação de tratamento cirúrgico é a necessidade do rápido retorno ao trabalho/esporte de acordo com o trabalho exercido por cada paciente.

 

 

No tratamento cirúrgico existem 2 opções principais, sendo que cada uma apresenta suas vantagens e desvantagens, podendo-se optar por uma placa e parafusos ou uma haste intramedular. Porém, cada caso é único e, portanto, deve ser discutido com o seu médico para optar pelo melhor tratamento.
Complicações: infelizmente como em todos os procedimentos cirúrgicos existe um pequeno risco de complicações como: diminuição da sensbilidade inferior a incisão, lesão neurovascular, infecção, problemas de cicatrização da ferida, rigidez do ombro e risco anestésico.

Pós-operatório:

  • Manter tipóia por 2-4 semanas.
  • Movimentos pendulares quando tolerados.
  • Alongamento e fortalecimento após 4 semanas.

Fixação da fratura com placa e parafuso

 

Fixação da fratura com haste intramedular bloqueada

 

Fratura da clavícula distal

A fratura do terço distal da clavícula corresponde a 10-15% das fraturas da clavícula.

Quando muito desviadas podem ser tratadas cirurgicamente com várias técnnicas, pois a chance de pseudartrose é em torno de 40%. Mesmo as fraturas com pouco desvio podem demorar para consolidar.

Quando realizada a placa gancho ela deve ser retirara obrigatoriamente, após pelo menos 3 meses.

Fratura cominuta e com desvio da clavícula distal

A) Fixação com placa gancho | B) Fixação com placa de clavícula distal

 

A) Fixação com fio de kirschner (Phemister) | B) Fixação com âncoras + fio de kirschner

Fratura da clavícula medial:

A fratura do terço medial da clavícula corresponde a 0-5% das fraturas da clavícula, ou seja, são raras. Geralmente são melhores avaliadas com auxílio de tomografia.
Essas fraturas normalmente evoluem bem com o tratamento conservador, exceto naquelas com grande desvio posterior e sintomáticas com rouquidão, compressão vascular e dificuldade para deglutição, as quais é melhor realizar o tratamento cirúrgico.

Pergunta: Sempre é necessário retirar a placa?
Normalmente retiramos o implante somente se ocorrer algum tipo de complicação, como infecção, lesão neurovascular ou se o implante gerar algum incômodo na pele. O ideal é esperar pelo menos de 1-2 anos para diminuir o risco de re-fratura.

Pergunta: Tenho uma pseudartrose da clavícula. É preciso operar?
A grande maioria das pseudartroses (não consolidação da fratura) geralmente são indolorores, não geram desconforto, perda de movimentação ou força. Se não gerar qualquer incômodo para o paciente não é necessário operar. Caso contrário pode ser optado pela cirurgia. Em alguns casos é necessário o uso de algum tipo de enxerto ósseo.

Categories:
  Fraturas, Ombro
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