Informações úteis aos pacientes

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Lesão SLAP

13 de abril de 2020
A lesão SLAP (superior labral anterior posterior) é uma patologia que acomete a inserção do cabo longo do bíceps na glenóide, na região superior do labrum. Ocorre principalmente em atletas de arremesso/movimentação acima da cabeça, com idade menor que 40 anos e geralmente acomete o lado dominante. Nos pacientes acima de 40 anos é comum ser uma lesão degenerativa. É preciso procurar lesões associadas, principalmente instabilidade do ombro e síndrome do impacto. O paciente apresenta dor difusa localizada na linha articular do ombro com episódios de pinçamento ou diminuição da performance no esporte/trabalho. Pode ter dor ao realizar atividade física, como supino. As causas da lesão podem ser: – Traumáticas: Queda sobre a mão espalmada, após acidente de carro, luxação do ombro ou pegar objetos pesados. – Esforço repetitivo: força repentina de abdução e rotação externa (movimento de arremesso), – Degenerativo: próprio processo do envelhecimento Como é muito comum ter lesão durante o esporte é necessário realizar aquecimento antes de realizar os exercícios, evitar esporte de contato e fortalecimento da musculatura ao redor do ombro. Existem diversas manobras do exame físico para ajudar a identificar a lesão, sendo o teste de O’Brien, Mimori e bíceps load os mais utilizados. Classificação de Snyder (1990): – Tipo 1: Fibrilação labral. A inserção continua firme. É mais comum na população de meia idade e pode ser assintomática. Tratamento = debridamento. – Tipo 2: Desinserção da âncora do bíceps da tuberosidade supraglenoidal. É a segunda lesão mais comum. Tratamento = reinserção labral. – Tipo 3: Alça de balde com inserção da âncora mantida. Tratamento = debridamento do fragmento solto. – Tipo 4: Alça de balde + acometimento do tendão do bíceps. Tratamento = reinserção labral ou tenondese do bíceps. Foram realizadas algumas modificações, sendo que hoje existem cerca de 10 tipos. Exames de imagem: – RX: geralmente está normal – RNM: é o melhor exame para avaliar SLAP, podendo ser utilizado uma ARTRO-RNM. O exame padrão-ouro para o diagnóstico é a artroscopia. A presença de cisto sublabral é altamente sugestivo de SLAP. Se o cisto for muito grande ou for para póstero-superior ele pode acabar comprimindo o nervo supra-escapular. Inicialmente será realizado o tratamento conservador com mudança de atividade, repouso, fisioterapia, medicamentos (anti-inflamatóríos/analgésicos), infiltração e acupuntura. Cirurgia: geralmente indicada após a falha do tratamento conservador por 3-6 meses. A cirurgia geralmente é realizada por artroscopia. Dependendo do tipo de lesão e idade do paciente pode ser realizado a reinserção do labrum com âncoras ou realizar uma tenotomia + tenodese do cabo longo do bíceps. Os pacientes com pior prognóstico são os atletas de arremesso, idade acima de 35 anos, compensação trabalhista e alguma lesão concomitante no ombro As complicações da cirurgia são dor crônica, rigidez do ombro e infecção Pós-operatório: – curativo diário após o terceiro dia de cirurgia – Utilizar tipóia tipo velpeau por 3-6 semanas – limitação de abdução/flexão de 90º e rotação externa a 0o por 6 semanas. – Evitar flexão e supinação forçada do cotovelo por 8 semanas – Fortalecimento

Luxação aguda do cotovelo

23 de março de 2020
O cotovelo é a segunda articulação mais luxada do adulto, perdendo somente para o ombro. Acometem principalmente os homens jovens, principalmente durante as atividades físicas. Elas podem ser divididas em simples ou complexas. – luxações simples (sem fratura): normalmente são estáveis após a redução e tem um bom resultado final. Somente 10% dos pacientes tem uma instabilidade residual, uma vez que o cotovelo é uma articulação intrínsecamente estável. – luxações complexas (com fraturas associadas): tem o seu tratamento determinado baseado nas fraturas presentes. O mecanismo de trauma mais comum é uma queda com a mão espalmada + cotovelo em valgo + carga axial + força póstero-lateral. As estruturas lesadas são inicialmente o ligamento colateral lateral, seguido pela cápsula e por último o ligamento colateral medial. Ao exame físico é possível observar uma deformidade evidente do cotovelo. Apesar de raro, sempre devemos observar a presença de lesão neurovascular, principalmente do nervo ulnar (+ acometido). O exame de imagem inicial é uma radiografia do cotovelo de frente e perfil para avaliarmos a direção da luxação e a presença de fraturas associadas. A direção da luxação mais comum é posterior. O exame de tomografia computadorizada e ressonância magnética raramente são necessários na urgência, a não ser que seja uma fratura-luxação complexa ou com dúvidas em relação a lesão neurovascular. Após o diagnóstico deve ser realizada a redução do cotovelo, que consiste na tração do antebraço + flexão do cotovelo. Quando ocorre a redução o paciente sente um estalido seguido pelo alívio importante da dor. Após a redução devemos observar a perfusão, pulso e o status neurovascular do membro. O tratamento da maioria das luxações simples do cotovelo é imobilização para controle da dor, seguida de reabilitação. O tratamento cirúrgico deve ser realizado nos casos de luxação exposta, com lesão vascular, luxação irredutível e nos casos em que o cotovelo está instável, ou seja, luxa antes de atingir menos de 30 graus de extensão, podendo inclusive luxar na tala gessada. Normalmente é realizado a reinserção ligamentar e muscular, sendo que nos casos de muita instabilidade é possível acrescentar um fixador externo dinâmico para proteger a cicatrização ligamentar.

Bursite do Cotovelo

3 de março de 2020
A Bursa é um uma pequena bolsa de líquido que protege as estruturas musculoesqueléticas de rasparem uma nas outras. Elas se localizam entre músculos, músculos e tendão e entre tecido e o osso. Existem mais de 150 bursas ao redor do corpo. Geralmente ela é bem fininha. Existem diversas bursas ao redor do cotovelo, sendo divididas entre superficiais e profundas. Superficiais: olécrano (mais comum), epicôndilo lateral e epicôndilo medial. Profundas: bursa biciptal As causas podem ser traumáticas (sobreuso ou impacto), inflamatória (AR e gota), infecciosa e em pacientes com diálise Podem ter doenças associadas: artrite reumatoide, gota, condrocalcinose, sinovite vilonodular. Vamos dividir nas 3 principais queixas em relação a bursite: 1. Bursite olecraniana: Incidência é incerta, porém é comum na população. Antigamente era conhecida como doença do estudante ou do minerador, por ter traumas repetitivos nessa região do cotovelo. Quadro clínico: geralmente é um abaulamento na região posterior do cotovelo, sem perda de  movimentação e é indolor. Se for dolorosa tem que tomar cuidado com infecção ou por depósito de cristais. Exames de imagem: – Radiografia: pode evidenciar osteófito do olécrano – Ultra-sonografia/Ressonância magnética: acúmulo de líquido dentro da Bursa olecraniana Tratamento: – Tratar a doença sistêmica ou inflamatória – Repouso – Gelo – Anti-inflamatório A Aspiração com ou sem infiltração de corticóide pode ser realizada, principalmente se for aguda e relacionada a trauma. A infiltração de corticóide deve ser individualizada, pois existe um pequeno risco de infecção e atrofia subdérmica. Nos casos crônicos pode ser realizado a ressecção da Bursa e do osteófito se presente. Complicações: deiscência, seroma, fístula crônica e recidiva. 2. Bursite do bíceps A Bursa do bíceps é a segunda mais comum. Geralmente está envolvida na ruptura parcial do bíceps. Quadro clínico: edema ou inchaço na região da fossa cubital e estalidos/crepitação com a movimentação de prono-supinação do cotovelo. Na bursite biciptal é mais comum ter a piora dos sintomas com a movimentação de supinação. Exames de imagem: – radiografia não evidenncia alterações – USG: acúmulo de líquido na Bursa – Ressonância magnética: exame que melhor evidencia o líquido na Bursa O tratamento geralmente é conservador com mudança de atividade, repouso, gelo e anti-inflamatório. 3. Bursite infecciosa Em torno de 20% das causas de bursite são infecciosas. O quadro clínico evidencia edema, febre e celulite parabursal. A pele fica mais quente em relação ao lado contra-lateral. Pode ter dor com a flexo-extensão do cotovelo. A bactéria mais comum é S. Aureus ou outro gram +. Ela raramente causa osteomielite (infecção do osso) Geralmente o diagnóstico é clínico. É difícil diferenciar uma bursite infectada da não infectada. Não existe nenhum teste diagnóstico padrão-ouro. O que guia o tratamento é o conjunto dos sinais e sintomas. Pode ser realizado uma punção com avaliação do líquido aspirado. O tratamento geralmente é realizado com aspiração/drenagem com associação com antibiótico. Nos casos mais leves e com poucas comorbidades pode ser realizado com antibiótico por via oral. Nos casos mais graves, bastante sintomáticos e com múltiplas comorbidades geralmente o tratamento requer internação

Epicondilite Medial

27 de fevereiro de 2020
A epicondilite medial é a doença mais comum que causa dor na região de dentro do cotovelo, onde estão localizados a musculatura  flexo-pronadora. Também é conhecida como epicondilite do golfista. A dor geralmente é semelhante da epicondilite lateral, porém é menos comum, sendo responsável por 15-20% das epicondilites. Apresenta uma incidência de 1% da população, com pico entre a 4-6a década de vida, afetando igualmente homens e mulheres e é mais comum do lado dominante (60%). A sua incidência aumenta em alguns tipos de trabalho, principalmente em trabalhos com preensão palmar forçada, com carga acima de 20 kg ou exposição a forças vibratórias no cotovelo. Os fatores de risco são: tabagismo, obesidade e esforço repetitivo. Geralmente é mantido o arco de movimento do cotovelo, porém apresenta dor a palpação da região logo distal e anterior do epicôndilo medial. A dor piora com pronação, flexão do punho e preensão palmar forçada. Pode ocorrer o acometimento do nervo ulnar, sendo associado a pior prognóstico. O diagnóstico é clínico,  baseado na história e exame físico. Exames: – Radiografia: geralmente é normal, podendo evidenciar esporão de tração medial e calcificação do ligamento colateral medial em até 20% dos casos, porém sem relação com o prognóstico. Geralmente o Rx é utilizado para excluir outras causas de dor no cotovelo. – Ultra-sonografia: é um bom exame para diagnóstico, evidenciando área hipoecogênicas na região da inserção da massa flexo-pronadora com espessamento ou lesão parcial/total. – Ressonância magnética: geralmentne utilizado para casos refratários. – A eletroneuromiografia é útil para avaliar a neuropatia compressiva do nervo ulnar O tratamento conservador é a primeira linha de tratamento, com sucesso de até 90%. Pode ser realizado modificação das atividades, medicação anti-inflamatória oral/tópica, repouso, imobilização, infiltração e fisioterapia. Se apresentar neuropatia do ulnar, evitar flexão do cotovelo repetitiva ou prolongada e utilizar tala em extensão noturna. Na falha do tratamento conservador após 6 meses ou progressão da neuropatia do nervo ulnar a cirurgia consiste na excisão do tecido lesado na região flexo-pronadora e reparação do defeito. Devemos descomprimir e transpor o nervo ulnar nos pacientes com sintomas pré-operatórios. Também pode ser realizado epicondilectomia parcial nos casos mais graves. A expectativa de retorno ao trabalho é de 3-6 meses de pós-operatório, após o retorno total da força do membro operado. As complicações pós-operatórias consistem na lesão do nervo ulnar, lesão do nervo cutâneo medial do antebraço, instabilidade do cotovelo e manutenção da dor (geralmente se resolve em até 2 anos).

Artrose do ombro

20 de fevereiro de 2020
A artrose do ombro é uma doença muito comum na população. Ocorre um desgaste da cartilagem da cabeça umeral e da glenóide, raspando a superfície articular (osso contra osso). Após a perda dessa cartilagem ocorre a perda da movimentação suave, gerando dor, crepitação e rigidez progressiva do ombro.   Pode ser dividida em causas primárias (desgaste natural) ou causas secundárias como traumática (fraturas), inflamatória (artrite reumatoide, lúpus), infecciosa, neuropática, pós-operatória e até mesmo após muitos anos de exercício. Geralmente acomete mulheres, acima de 60 anos, chegando a ter 20% de prevalência. As queixas mais comuns são uma dor insidiosa, ou seja, vai piorando com o tempo.  Com a movimentação do ombro tem piora da dor, estalido, crepitação e progressiva limitação do arco de movimento. A dor geralmente piora com a movimentação e melhora com o repouso. Geralmente a dor piora à noite. Após longo prazo pode ter diminuição da força por desuso. Exames de imagem: – Radiografia: mostra uma redução do espaço articular (perda da cartilagem), osteófitos (calcificações nna região do ombro), cistos subcondrais. Nos casos mais graves pode ter subluxação – Tomografia computadorizada: pode ser necessária para avaliar desgaste da glenóide e sua inclinação. Usada principalmente para auxílio na programação cirúrgica. – Ressonância magnética: ajuda a avaliar outras lesões associadas e o manguito rotador. Também utilizada para a programação cirúrgica. O tratamento depende do estágio da doença. Não existe cura para a artrose, porém podemos tentar retardar a sua progressão e diminuir os sintomas. Não é possível determinar a velocidade de progressão da artrose, depende de cada indivíduo. O tratamento inicial é o não operatório: – Modificação de atividades: não dormir sobre o ombro dolorido, evitar rotações do ombro, evitar movimentação excessiva e muita carga. – Medicamentos: anti-inflamatório/analgésico condroprotetores colágeno – Fisioterapia: controle da dor, melhora da amplitude articular e força muscular – Acupuntura Caso não ocorra melhora da dor podemos lançar mão de terapias mais invasivas. – Infiltração: corticoide ou ácido hialurônico O tratamento cirúrgico só é indicado se não houver melhora com o tratamento conservador. – Artroscopia: limpeza da articulação, retirada de corpo livre, debridameto das lesões condrais, ressecção  dos osteófitos e liberação da cápsula articular. Indicado principalmente para pacientes jovens com artrose. – Artroplastia: depende principalmente da idade, causa e estado do músculo deltoide e manguito rotador – Artroplastia parcial: é realizado somete a substituição da parte umeral. É essencial não ter degeneração da glenóide. – Prótese parcial – Ressurfacig – Total anatômica: é realizado a substituição tanto do úmero, como da glenóide. – Total reversa https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/rotator-cuff-injury/multimedia/reverse-shoulder-replacement-video/vid-20086567 (total e reversa) https://www.youtube.com/watch?v=gqitRa4dm1U (reversa) https://www.atlanticortho.com/shoulder-replacement-program/total-shoulder-arthroplasty/  (total) https://www.hopkinsmedicine.org/health/conditions-and-diseases/shoulder-arthritis (explicação geral da doença + vídeo de prótese total , reversa, debridamento articular e infiltração)

Bursite

13 de fevereiro de 2020
A Bursa é uma pequena bolsa perto da articulação que impede o contato direto entre músculos, osso e tendões. Geralmente é bem fininha e serve para diminuir o atrito entre as estruturas. Pode ficar inflamada devido a diversos motivos, como esforço repetitivo, esportes (tênis, vôlei), trauma ou outras doenças inflamatórias. Quando inflamada ela aumenta de tamanho, aumentando a pressão dentro do ombro. Isso pode causar dor e perda de movimentação. Geralmente está associada a outras patologias, como síndrome do impacto, tendinopatia do manguito rotador ou doenças inflamatórias como artrite reumatoide, diabetes ou gota. A localização mais comum é na Bursa subacromial Há 3 tipos principais de bursite: – Crônica – Inflamatória – Infectada: é a mais grave. Pode causar febre e mal estar. Pode ser necessário uso de antibiótico e até mesmo cirurgia. Os sintomas variam de dor a palpação, redução da movimentação do ombro, edema e estalidos/crepitação. Pode ter dor durante atividades simples como pentear o cabelo ou pegar o cinto de segurança no carro. Geralmente piora à noite, ao deitar sobre o ombro. Pode piorar a dor ao ficar longos períodos parados. Exames de imagem: – Raio X: usado para excluir outras causas de dor no ombro – Ultra-sonografia ou Ressonância magnética: mostra inflamação, aumento de volume da Bursa e tecidos ao redor Tratamento: repouso, gelo e analgesia. – Anti-inflamatório: pode reduzir o inchaço e a dor no ombro – Repouso: redução do esforço pode diminuir a irritação da Bursa e audar a cicatrização – Gelo: geralmente nos primeiros 5 dias. Aplicar compressa de gelo por 15-20 minutos com intervalos de 4 horas. Observação: Não utilizar compressa de água morna, á que vai piorar a inflamação. – Fisioterapia: alongamento Tempo de recuperação pode demorar meses. Infiltração com corticóide somente para casos refratários e sem melhora com tratamento conservador. Idealmente deve ser realizado com auxílio de ultra-som. Cirurgia: somente para casos sem melhora após 6-12 meses. Dicas para evitar bursite: – se alongar e aquecer antes do trabalho ou esporte – fortalecimento da musculatura do ombro – pausas durante esforço repetitivo – melhora da postura Complicações: a Bursa pode se tornar infectada.

Epicondilite lateral

10 de fevereiro de 2020
A epicondilite lateral é a dor mais comum no cotovelo do adulto, afetando cerca de 1-3% da população, principalmente entre 30-50 anos. Acomete igualmente homens e mulheres, principalmente o lado dominante. Antigamente era chamada de cotovelo do tenista, porém é muito mais comum em indivíduos não atletas/atletas amadores. Os fatores de risco são movimentos que colocam em risco a musculatura extensora do cotovelo, como bater de backhand no tênis, apertar parafuso com chave de fenda ou torcer um pano. Esses movimentos repetitivos ou um trauma vão gerar uma lesão na musculatura lateral do cotovelo, principalmente o músculo extensor radial curto do carpo e extensor comum dos dedos. Há algumas ocupações de risco, como pintor, carpinteiro, mecânicos e cozinheiros. O ponto de dor mais comum é cerca de 5mm distal e anterior ao ponto médio do epicôndilo lateral. Piora com alguns tipos de atividades com andar de moto, digitar, apertar as mãos, levantar objetos pesados e até mesmo escovar os dentes. Pode também apresentar inchaço na região lateral do cotovelo. No quadro agudo a dor piora com a atividade e melhora ao repouso. No quadro crônico a dor pode ser contínua, limitando as atividades de vida diária e atrapalhando inclusive o sono. O diagnóstico é clínico, ou seja, não precisa de nenhum exame de imagem. Nos casos crônicos, sem melhora com o tratamento conservador podemos realizar alguns exames: Radiografia: geralmente normal. Pode mostrar calcificações na região do epicôndilo, o que está mais associado a lesões com maior duração. Ultrassonografia: mostra espessamento dos tendões extensores Ressonância Magnética: mostra espessamento e aumento do sinal dos tendões acometidos Diagnóstico diferencial: radiculopatia cervical, osteocondrite dissecante, instabilidade do cotovelo, plica sinovial e síndrome do túnel radial Tratamento: Repouso, gelo, analgésico e fisioterapia. Alongamento  Modificação de atividade A boa notícia é que é uma doença auto-limitada, geralmente durante de 6-12 meses, desde que realizado o tratamento correto. O tratamento mais importante é o repouso e evitar atividades que piorem a dor. Nos casos com muita dor aguda pode realizar imobilização por 7-10 dias. Atualmente como a prática de atividade física é cada vez mais comum, as vezes a vontade de progredir rapidamente causa alguma lesão. Caso sinta dor é necessário revisar o movimento do esporte,  equipamento e ritmo de treino. Existem outra formas de tratamento mais invasivos, que devem ser discutidos com o seu médico: Ondas de choque Infiltração: ácido hialurônico, corticóide e Plasma rico em plaquetas (PRP) O tratamento cirúrgico é indicado após a falha do tratamento conservador por 6 meses. Sucesso em até 90% dos casos. Pode ser realizado de maneira aberta ou artroscópica. Nesse tratamento é ressecado o tendão doente. Vantagem da artroscopia: resultados semelhantes ao procedimento aberto sem sacrificar a origem dos extensores comuns, avalia outras patologias intra-articulares, reabilitação precoce e retorno precoce ao trabalho A reabilitação pós-operatória varia de acordo com a técnica realizada. Geralmente é utilizado um enfaixamento ou uma tala gessada por 1-2 semanas e após é iniciado um fortalecimento. O retorno ao esporte geralmente é após 3 meses.

Fratura da cabeça do rádio

22 de janeiro de 2019
O rádio é um dos 3 ossos principais do cotovelo (úmero, ulna e rádio). A sua cabeça é uma estrutura muito importante, pois até 60% do peso do corpo pode passar por ela e também contribui para a estabilidade do cotovelo. É a fratura mais comum do cotovelo do adulto (30%), ocorrendo principalmente dos 20-60 anos. É duas vezes mais frequente em mulheres.  O mecanismo de trauma geralmente é uma queda sobre a mão espalmada. Ao exame físico podemos observar inchaço local, dor a palpação da cabeça do rádio, estalido com a rotação do antebraço e dificuldade/incapacidade de dobrar e esticar totalmente o cotovelo. Devemos palpar outras regiões do cotovelo, como o epicôndilo lateral e medial buscando lesões associadas, uma vez que elas ocorrem em até um terço dos casos. Sempre devemos avaliar o punho, pois em raros casos pode ter uma lesão grave da membrana interóssea chamada essex-lopresti. O exame de imagem inicial é a radiografia de frente, perfil e incidência para radiocapitelar (Greenspam). Geralmente essas fraturas tem um desvio mínimo e são isoladas. Em alguns casos de fraturas mais complexas é necessário realizar uma tomografia para avaliar as lesões associadas.   O tratamento das fraturas sem desvio/com pouco desvio da cabeça do rádio é conservador.  Realizamos a imobilização com tala para conforto do paciente por um período curto  e após realizamos a movimentação ativa com uso de tipóia entre os exercícios. Deve-se fazer um acompanhamento de perto para observar desvio da fratura. Pode-se realizar atividade leve e sem carga nesse período inicial. As complicações do tratamento conservador são principalmente relacionados a rigidez, sendo comum a perda de um certo grau de extensão do cotovelo. Outro problema bastante comum é a artrose (desgaste da cartilagem articular), chegando a acontecer em até 80% dos casos. A única indicação absoluta de tratamento cirúrgico é uma fratura com desvio e com bloqueio do movimento de rotação do antebraço. As outras indicações são fratura cominuta, com grande desvio, acometimento acima de 30% da superfície articular, corpo livre intra-articular, fratura exposta e fratura associada a instabilidade do cotovelo. Existem diversas formas de tratamento cirúrgico para essa fratura: fixação com parafusos, placa + parafusos, prótese da cabeça do rádio, ressecção total ou parcial da cabeça do rádio. A técnica cirúrgica depende do seu tipo de fratura e deve ser conversado com o seu cirurgião. O pós-operatório da cirurgia deve ser feito baseado no tipo de fixação e nas lesões associadas.     Infelizmente, como em todas as cirurgias, tem um pequenos risco de complicações: ossificação heterotópica, instabilidade do cotovelo, déficit neurológico (interósseo posterior), necrose, pseudartrose, Infecção e diminuição do arco de movimento. Perguntas frequentes: É comum ter perda do arco de movimento devido a osteossíntese/artroplastia da cabeça do rádio? Geralmente é comum ter um bom arco de movimento tanto após o tratamento conservador como no cirúrgico das fraturas da cabeça do rádio. Pode ocorrer  a perda de alguns graus de extensão do cotovelo. Sempre depende da gravidade da fratura e das lesões associadas.   É

Tendinite Calcárea

22 de janeiro de 2019
É uma patologia dolorosa do ombro, de causa desconhecida, na qual os tendões do manguito rotador são infiltrados por depósitos de cálcio. O tendão mais acometido é o supra-espinal, seguido pelo infra-espinal, subescapular e redondo menor. Esse distúrbio acomete cerca de 10% da população, principalmente as mulheres, entre 30-60 anos. O lado mais acometido é o direito e em 10% dos casos é bilateral. A boa notícia é que essa doença geralmente é auto-limitada, ou seja, se resolve com o tempo. Normalmente ela segue um curso definido, determinado por Sarkar e Uhthoff: Fase 1: Pré-calcificação (assintomático) Fase 2: Calcificação Fase de Formação: depósito de cálcio parece um pó de giz. Fase de Repouso: depósito de cálcio bem delimitado. Pouca dor. Fase de Reabsorção: Depósito de cálcio = pasta de dente. Período extremamente doloroso. Fase 3: Pós-calcificação. Tecido de granulação é substituído por colágeno. Dor desaparece. Geralmente essa doença não causa muita dor no ombro, exceto na fase de reabsorção que é extremamente dolorosa e dá limitação da movimentação do ombro. Nas outras fases pode dar uma sensação que tem alguma coisa batendo dentro do ombro (sintomas de impacto). Diagnóstico: pode ser confirmado com o RX, ultra-sonografia ou ressonância magnética.         Os exames de sangue (cálcio e fósforo) geralmente estão normais. Diagnóstico diferencial: tendinite calcificante insercional, calcificação distrófica e síndrome do impacto. O tratamento inicial com fisioterapia (prevenção de rigidez), gelo local e analgésicos ou anti-inflamatórios é bem sucedido na grande maioria dos casos (> 70%). Caso apresente uma dor muito intensa pode ser feita uma infiltração local com anestésico ou corticóide, porém os resultados são controversos. Quando não observamos nenhuma melhora após um período de 6 meses pode-se pensar em um tratamento mais invasivo. Antes de realizar qualquer procedimento cirúrgico deverá conversar com o seu médico, pois devemos individualizar cada caso. As opções são: – Aspiração guiada por USG: pode ser realizado, principalmente em pacientes com depósitos segmentados e com contornos mal definido – Artroscopia: é a técnica preferida. Indicada principalmente em depósitos grandes e bem delimitados. No mesmo procedimento pode ser necessário realizar o reparo do manguito rotador e a descompressão subacromial. Ao final do procedimento é comum ter calcificação residual, porém não interfere no resultado final. – Ressecção aberta Há alguns fatores de risco para falha do tratamento conservador: patologia bilateral, depósito grande, depósito no 1/3 anterior do acrômio, depósito medial ao acrômio. No pós-operatório é necessário ficar de tipóia. A reabilitação depende da realização ou não do reparo do manguito rotador. As complicações do procedimento podem ser: capsulite adesiva/ombro congelado (problema + comum), recorrência e persistência da dor.

Capsulite Adesiva

22 de janeiro de 2019
A capsulite adesiva ou ombro congelado é uma doença que acomete a cápsula do ombro, causando a sua contratura e diminuição do volume líquido intra-articular. Ela pode ser idiopática, ou seja, sem causa definida ou ser secundária a alguma lesão no ombro ou próxima a ele como fratura/cirurgia do ombro e até mesmo pós-radioterapia por câncer de mama. Acomete em torno de 2% da população, sendo mais comum entre as mulheres de 40-70 anos. Geralmente é unilateral, comprometendo os 2 ombros em 20-30% dos casos. Raramente é recorrente no mesmo ombro. O principal fator de risco é a imobilização prolongada, devido a trauma ou qualquer dor no ombro. Outros fatores de risco muito importantes são alterações endócrinas, principalmente diabetes de longa data em uso de insulina. O quadro clínico é dor local associado com diminuição da movimentação ativa e passiva, com piora da dor no período da noite e ao deitar sobre o ombro. Os principais movimentos dolorosos são de rotação interna do ombro (mulheres tem dificuldade para abotoar o sutien e os homens tem dificuldade para pegar a carteira) e flexão.   Ela segue algumas fases: Dolorosa: pode durar algumas semanas a meses Congelamento: pode durar de 4-12 meses Descongelamento: pode durar alguns meses. A medida que a movimentação do ombro aumenta a dor diminui. O diagnóstico é clínico, ou seja, não precisa de nenhum exame para confirmar o diagnóstico.  Geralmente precisa ter um ombro doloroso rígido por pelo menos 4 semanas, com restrição dolorosa da movimentação passiva e ativa com elevação abaixo de 100o e restrição de rotação externa > 50%. A radiografia pode mostrar uma osteopenia difusa nos casos crônicos. A ressonância magnética pode evidenciar uma sinovite e cápsula contraturada, no recesso axilar. Os exames de imagem servem principalmente para excluir outras patologias como osteoartrose, tendinite calcárea e lesão do manguito rotador. O tratamento inicial é conservador: fisioterapia para manter arco de movimento, anti-inflamatórios, analgésico e acupuntura. Com esse tratamento obtém-se melhora de até 90% da dor e arco de movimento. Caso não seja obtido a melhora temos que individualizar cada caso. Uma boa converva com o seu médico deverá ser realizada. Podemos realizar diversas formas de tratamentos invasivos, geralmente indo do de menor agressividade para o mais agressivo. Pode ser realizado bloqueio do nervo supra-escapular seriado, distensão capsular sob anestesia, manipulação sob anestesia e liberação artroscópica/aberta. No pós-operatório devemos manter um tratamento com fisioterapia adequada, para prevenir a formação de nova contratura e recidiva da rigidez articular. Quais os riscos da manipulação sob anestesia? Fratura, lesão osteocondral, lesão neurovascular, instabilidade e lesão tendínea Quais riscos da artroscopia? Lesão osteocondral, lesão neurovascular e instabilidade

Artroscopia do ombro

22 de janeiro de 2019
A artroscopia do ombro é um procedimento minimamente invasivo em que se possibilita o diagnóstico e tratamento de diversas patologias, como lesões do manguito rotador, instabilidade, impacto subacromial, artrose acrômioclavicular, SLAP, entre outros. Nesse procedimento é colocado 1 câmera e pinças dentro do ombro através de pequenas incisões na pele, para visualização das lesões como um todo e realização de seu reparo com pontos, âncoras e debridamento ósseo e de partes moles. As vantagens em relação a cirurgia aberta: permite a visualização das lesões como um todo, menores incisões, recuperação mais rápida e menores dores no pós-operatório. Os riscos e complicações são os mesmos de todas as cirurgias: risco anestésico, risco de lesão neurológica, vascular, infecções e dor crônica. Contra-indicações: infecção local na pele e contra-indicações do paciente Período de internação: normalmente são 1-2 diárias no hospital, ou seja, o paciente pode ter alta no mesmo dia, desde que a cirurgia ocorra tudo bem. Retorno ao trabalho: depende do tipo de cirurgia e o trabalho realizado pelo paciente. Desde que possa trabalhar de tipóia pode retornar ao trabalho na mesma semana. Sempre existe um pequeno risco da cirurgia artroscópica ser convertida para o procedimento aberto, caso tenha alguma dificuldade para a visualização.

Ruptura do bíceps distal

7 de janeiro de 2019
O tendão do bíceps é formado por 2 partes, a cabeça longa e a cabeça curta. A sua principal função é a realização da supinação do antebraço e é um flexor secundário do cotovelo. Sua lesão é rara, correspondendo a cerca de 10% das lesões do bíceps.   Normalmente acomete homens ao redor dos 30-50 anos, durante a contração excêntrica no movimento de levantamento de peso, com o cotovelo fletido em 90o. É comum sentir um estalo no momento da lesão evoluindo com perda de força. Existem diversos fatores de risco como tabagismo, uso de anabolizantes e doenças sistêmicas como o Lúpus. Ao exame físico apresenta dor na região anterior do cotovelo com inchaço e pode ficar roxo o local. Na maioria das vezes é possível observar uma deformidade em relação ao lado contra-lateral (encurtamento do tendão), o sinal do “popeye invertido” e fraqueza para flexão e supinação em comparação ao lado contra-lateral. Podemos realizar 2 manobras ao exame físico: bíceps squeeze test/Rulland e o Hook test, com uma boa sensibilidade e especificidade para o diagnóstico da lesão.   Imagem clínica da lesão do bíceps distal esquerdo Hook test   A localização mais comum é a avulsão completa da tuberosidade biciptal. Raramente ocorre uma lesão intrasubstancial. Exames de imagem: Radiografia do cotovelo: importante para avaliar se existe alguma deformidade na tuberosidade radial ou alguma fratura associada Ultra-sonografia ou Ressonância Magnética: identifica a localização da lesão e a sua retração. Também identifica se é uma lesão total ou parcial. O tratamento de escolha é cirúrgico para as lesões totais ou maiores que 50% do tendão. O tratamento conservador é de exceção, somente se o paciente for sedentário e de baixa demanda, pois se não tratado geralmente resulta em perda de força de supinação (±40%), de flexão (±30%) e a resistência. O ideal é operar a lesão do bíceps distal em até 2 semanas, pois após esse tempo a exposição fica mais difícil e as complicações mais frequentes, sendo que em alguns casos pode até ser necessário o uso de enxerto de tendão de outras localização. Existem diversos tipos de técnicas de fixação: pontos transósseo, âncoras, endobutton e parafuso de interferência. Também existem 2 técnicas principais: com 1 via cirúrgica ou 2 vias. Cada técnica tem vantagens e desvantagens, sendo necesssário discutir com o seu médico a opção de tratamento. Técnicas de fixação do bíceps distal: A (Âncoras), B (fixação com ponto transósseo), C (parafuso de interferência) e D (endobutton) No pós-operatório o ideal é utilizar tala axilopalmar por 2 semana, até a retirada dos pontos. Depois iniciamos o ganho de arco de movimento. O fortalecimento é iniciado com 12-16 semanas Complicações: re-rotura (4%), ossificação heterotópica (7%), sinostose radio-ulnar, limitação do arco de movimento e déficit neurológico.

Lesão do manguito rotador

7 de janeiro de 2019
O manguito rotador é um grupo muscular muito importante para o bom funcionamento do ombro. Ele é formado por 4 músculos: supra-espinal (+ lesado), infra-espinal, redondo menor e subescapular. Sua função é de estabilizar o úmero na cavidade glenoidal possibilitando a elevação e rotação do ombro.   A lesão pode ocorrer após um trauma (queda, acidente), por atividade repetitiva ou também degenerativa (desgaste natural do tendão). Existem alguns fatores de risco: Idade: a lesão é mais comum acima dos 40 anos de idade. Esporte com movimentação acima da cabeça: tênis, beisebol, basquete ou vôlei. Trabalho com movimentação constante acima da cabeça ou repetitivo: pintor, produção História familiar. As características principais da dor que sugerem uma lesão são: Dor na região anterior do ombro podendo irradiar até a região lateral do braço. Piora da dor à noite, principalmente ao tentar dormir sobre o ombro lesado. Piora da dor ao elevar o ombro, principalmente acima do nível da cabeça. Pode doer para realizar atividades simples, como pentear o cabelo, prender roupas no varal ou coçar as costas. Nos casos avançados pode gerar atrofia e fraqueza no ombro. Os exames a serem realizados: Radiografia: a radiografia não mostra os tendões do manguito rotador, porém mostra deformidades ósseas, artrose e esporão que podem causar dor no ombro. Ultrassonografia: permite a avaliação dinâmica dos tendões do ombro e a comparação com o ombro contra-lateral, porém tem a desvantagem de ser um exame examinador dependente. Ressonância magnética: atualmente é o melhor exame para diagnosticar a lesão do manguito rotador e planejamento cirúrgico.     O tratamento inicial pode ser feito conservadoramente, exceto nas lesões traumáticas que devem ser operadas precocemente. Tratamento conservador: gelo, repouso, fisioterapia e infiltração. Também é necessário mudar alguns hábitos de vida, que pioram a dor do ombro. evitar atividades acima da cabeça e diminuir o ritmo do esporte usar varal de chão ou deixar bem baixo evitar de usar armários altos As lesões parciais ou lesões muito pequenas podem cicatrizar com o tratamento conservador ou ficar totalmente sem dor. As lesões totais, principalmente as maiores dificilmente cicatrizam sem a cirurgia. Caso a dor não melhore ou tenha diminuição da força pode significar que a lesão está aumentando. A infiltração pode ser feita em casos muito dolorosos, sem melhora com fisioterapia. Ela deve ser usada com parcimônia, pois a infiltração com corticoide pode enfraquecer os tendões. Também não é um procedimento isento de riscos, pois pode levar bactérias da pele para dentro da articulação. Cirurgia: caso não melhore a dor após 3-6 meses de fisioterapia pode existir a possibilidade de cirurgia. Existem várias opções, dependendo do tamanho e tempo da lesão e também da gravidade do caso: Debridamento articular + acromioplastia Reparo artroscópico Reparo aberto (mini-open) Transferência tendínea Artroplastias Descompressão subacromial: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/rotator-cuff-injury/multimedia/rotator-cuff-decompression-video/vid-20086837 https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/rotator-cuff-injury/diagnosis-treatment/drc-20350231 Implantes: geralmente são usados âncoras para reparo do tendão ao osso. âncoras metálicas âncoras bioabsorvíveis âncoras knotless Legenda: Tipos de âncoras   Técnica de reparo: depende da preferência do cirurgião, tamanho da lesão e qualidade do tendão e do osso.

Instabilidade anterior do ombro/ luxação do ombro

7 de janeiro de 2019
A luxação do ombro ocorre quando a cabeça umeral perde o contato com a glenóide, ou seja, os ossos do ombro saem fora do lugar. Por ser a articulação do corpo humano com maior arco de movimento ela é mais suscetível a luxação, sendo a articulação mais deslocada no adulto. A maioria das vezes o primeiro episódio ocorre após algum evento traumático, como uma queda durante uma partida de futebol ou um acidente de carro. Ela é mais comum em homens jovens (20-29 anos) e após os 80 anos. O ombro pode sair para qualquer direção, porém é mais comum para anterior.   A chance de desenvolver luxação recorrente do ombro, ou seja, ter vários episódios de luxação geralmente é associada a idade no momento da lesão (quanto mais jovem foi o seu primeiro episódio de luxação, maior a chance de sair novamente o ombro do lugar). Também depende da gravidade das lesões associadas: Lesão de Bankart: é uma lesão do labrum glenoidal antero-inferior, o principal ligamento estabilizador do ombro Lesão de Hill-Sachs: é uma fratura impacção da região póstero-lateral do úmero (afundamento do osso) Outras lesões associadas: Lesão do manguito rotador (pacientes mais idosos), lesões neurológicas (plexo braquial ou nervo axilar), lesões da cartilagem ou outras lesões labrais. Essas lesões devem ser acompanhadas e tratadas para não dar complicações no futuro. Os sintomas mais comuns são: deformidade no ombro, inchaço, dor intensa, incapacidade de mover o ombro e formigamento.     Se ocorrer uma luxação do ombro não tente puxar para o lugar. Faça uma imobilização provisória com uma tipóia e vá ao pronto-socorro para realizar uma radiografia para avaliação de fraturas associadas, a direção da luxação e ser feita uma redução.   Caso o ombro fique estável o tratamento é feito com o uso de mobilização temporária (tipóia) e fortalecimento. Exames a serem realizados: Rx: é o exame inicial para avaliar se o ombro está reduzido (no lugar) e se tem fraturas associadas RNM: avaliação das lesões ligamentares, fratura da glenóide ou da cabeça umeral e lesões tendíneas Tomografia: ideal para avaliar a extensão da lesão óssea.     Nos casos que evoluem para instabilidade recorrente do ombro é necessário realizar um tratamento cirúrgico. Até a realização da cirurgia evite as posições que você sente que o ombro possa deslocar, principalmente posições como pegar objetos no bando de trás do carro, arremessar objetos ou dormir com a mão atrás da cabeça. As opções cirúrgicas são: – Cirurgia de Bankart artroscópico: são utilizados pequenas âncoras para reinserir o ligamento junto ao osso. – Remplissage. – Cirurgia de Latarjet: para cirurgias com defeito ósseo da borda da glenóide e hill-sachs extenso. É realizado a captação do enxerto do coracóide e transferido para a borda anterior da glenóide com 2 parafusos. Existem indicações precisas para cada tipo de cirurgia. É necessário avaliar cada caso para decidir o melhor tratamento. Cirurgia de Bankart     Pós-operatório: Geralmente utilizamos uma tipóia por 4-6 semanas. Após é realizado ganho de arco de movimento e

Informações pré-operatórias

7 de janeiro de 2019
Comparecer para internação pelo menos 2h antes da cirurgia, acompanhado de 1 adulto e:  Levar os documentos pessoais do paciente e acompanhante  Pode levar objetos pessoais como chinelo, escova de dente, produtos de higiene pessoal e roupas íntimas  Levar todos os exames de imagem, pré-operatórios, relatórios médicos e avaliações de especialistas  Lista de medicamentos de uso contínuo  Trazer tipóia de velpeau para ombro e cotovelo Lembrar ao seu médico no dia da cirurgia as alergias e histórico de doenças em tratamento. Alertar o seu médico se tiver a possibilidade de estar grávida. Jejum de pelo menos 8 h (Não comer alimentos sólidos ou água ou chupar bala/chiclete) antes do horário do procedimento   Medicamentos: Pode tomar medicações para hipertensão somente com um pouco de água (10mL) Diabetes: obter orientações com seu endocrinologista, principalmente se usar insulina   Higiene:  Tomar banho no dia da cirurgia; Secar o cabelo e retirar esmalte; Evitar utilização de cremes, óleos na pele e desodorante  Retirar adornos (brincos, piercing, anel e outros)  Retirar lente de contato  Retirar dread/aplique do cabelo Tabagismo: Evitar o tabagismo, se possível, por pelo menos 2 meses antes da cirurgia Drogas: Não usar drogas ilícitas por 15 dias antes da cirurgia: essas substâncias interferem no procedimento anestésico colocando em risco de vida o paciente. OBS: Se próximo a data da cirurgia tiver algum impedimento pessoal ou algum tipo de infecção (gripe) ou febre o procedimento deverá ser reagendado. Informações Pós-operatória: A higiene do curativo é muito importante após qualquer cirurgia ortopédica.

Fratura supracondiliana do cotovelo de criança

7 de janeiro de 2019
É a fratura mais comum do cotovelo da criança. Ocorre principalmente entre 5-6 anos, mais comum em meninos e do lado esquerdo. Ela geralmente ocorre após uma queda sobre o cotovelo em extensão. O seu desvio geralmente é em extensão e para medial. A suspeita de fratura ocorre quando a criança apresenta dor intensa e recusa de mexer o cotovelo. Pode-se observar inchaço e equimose (“roxo”na pele) na região do cotovelo. No exame físico é importante avaliar dor em outros locais do membro superior, pois em até 1% dos casos tem fraturas associadas, como do rádio distal. Também é preciso ver se a mão está com uma boa perfusão e se não tem nenhum déficit neurológico, pois pode ocorrer lesão de vasos sanguíneos e nervos devido a fratura.   É necessário realizar uma radiografia em 2 posições (frente e perfil) para avaliar o desvio da fratura. Podemos classificar essa fratura em 4 tipos, de acordo com Gartland: Grau 1: Há uma fratura, porém ela é sem desvio, Grau 2: Há uma fratura, porém ela apresenta desvio para posterior. A cortical posterior está íntegra. Grau 3: Há uma fratura e ela está totalmente desviada. Tratamento cirúrgico. Grau 4: Fratura totalmente desviada e muito instável tanto em flexão como em extensão, durante a cirurgia. Tratamento conservador: é possível nas fraturas com pouco desvio (grau 1 ou 2). É realizado uma imobilização com uma tala axilopalmar, com 90o de flexão do cotovelo. Observar se está confortável, sem muita dor e os dedos estão bem perfundidos (rosa). Tratamento cirúrgico: quando a fratura está muito desviada é necessário internação e a fixação com fios de kirschner. Necessário em alguns casos do tipo 2 e quase todos dos tipos 3 e 4. Alguns casos que se apresentam extremamente desviados e com perfusão ruim devem ser operados rapidamente., dentro de algumas horas.   Após a cirurgia a criança fica imobilizada com uma tala axilopalmar por 3-4 semanas. É necessário o acompanhamento com radiografias durante esse período. Depois é necessário a retirada do fio de kirschner. É preciso ficar em repouso, pois caso fique movimentando o cotovelo além de quebrar a tala pode ocorrer a migração dos pinos e a perda da redução, ou seja, ocorrendo o desvio da fratura. Complicações: Infecção, migração dos pinos, deformidade (cúbito varo/valgo), praxia, lesão vascular e rigidez do cotovelo Perguntas frequentes: Os fios de kirschner podem ser retirados no consultório? Os fios de kirschner geralmente devem ser retirados sob sedação, para ser o mais indolor possível para a criança, porém em alguns casos podem ser retirados no consultório. É necessário fazer fisioterapia? A literatura não indica realizar fisioterapia após esse tipo de fratura. Deve-se estimular a criança a brincar e mexer o cotovelo com a fratura cicatrizada. Claro que alguns casos, nos quais a criança se recusa a mexer o cotovelo após a consolidação da fratura é necessário fazer fisioterapia para perder o medo de mexer o cotovelo e evitar rigidez.    

Fratura do olécrano

7 de janeiro de 2019
As fraturas do olécrano são comuns e representam cerca de 10% das fraturas do cotovelo do adulto. Podem ser causadas por um trauma direto (+ comuns) ou por um trauma indireto (queda sobre a mão espalmada). Ao exame físico é possível sentir estalidos com a movimentação e algumas vezes palpar um “gap”. É importante avaliar se não tem ferimento na pele e a capacidade de estender o cotovelo, já que se for incapaz sugere descontinuidade do tríceps ou fratura. O exame de imagem necessário para o diagnóstico é a radiografia de frente e perfil. Na radiografia conseguimos avaliar lesões associadas como fratura do coronóide e fratura da cabeça do rádio, que podem mudar o planejamento cirúrgico. Raros casos são necessários realizar uma tomografia para avaliar fraturas complexas ou outros exames como RNM ou USG para avaliar lesões tendíneas ou ligamentares. As fraturas de olécrano podem ser divididas em 2 grandes grupos. Grupo 1: As fraturas sem desvio/desvio < 2mm são geralmente de tratamento conservador. É mantido uma tala axilopalmar por 2 a 3 semanas. Após esse tempo é liberada a flexo-extensão passiva. Após 6 semanas é liberado o arco de movimento ativo e o fortalecimento é iniciado após 12 semanas. Outro grupo de pacientes que pode ser realizado o tratamento conservador, embora controverso, são os idosos de baixa demanda com múltiplas comorbidades. Grupo 2: As fraturas com desvio, são as fraturas mais comuns, e o tratamento geralmente é cirúrgico. O tipo de técnica utilizada varia de acordo com o padrão da fratura e qualidade óssea. Pode ser realizado uma banda de tensão, placa e parafusos, haste intramedular e até mesmo a ressecção do fragmento e reinserção do tríceps.     O protocolo de reabilitação depende da técnica utilizada, geralmente utiliza-se uma tipóia até a retirada dos pontos. Evitar extensão ativa por 6 semanas. Após esse período inicia-se o fortalecimento. Complicações: infelizmente existe uma pequena chance de complicação, como em qualquer tipo de cirurgia. Risco anestésico, infecção, problemas com a ferida operatória, perda de arco de movimento (é mais comum a perda de alguns graus de extensão), parestesia do nervo ulnar, artrose, pseudartrose e implante proeminente (complicação + comum). Dúvidas comuns Sempre é necessário retirar os implantes? Normalmente retiramos o implante somente se ocorrer algum tipo de complicação, como infecção, lesão neurovascular ou se o implante gerar algum incômodo na pele. O ideal é esperar pelo menos de 1-2 anos para diminuir o risco de re-fratura.

Fratura de clavícula

7 de janeiro de 2019
A clavícula é um osso importante que liga o esqueleto axial ao membro superior. É uma fratura comum, correspondendo a cerca de 3% de todas as fraturas. Acomete principalmente homens jovens com idade abaixo de 20 anos, após uma queda sobre o ombro. A maioria (80-85%) das fraturas da clavícula ocorrem no terço médio. Geralmente apresente um inchaço, a pele fica arroxeada localmente e há estalidos no ombro com a movimentação. O desvio da fratura geralmente ocorre devido as inserções musculares, sendo geralmente o fragmento distal deslocado inferiormente e o fragmento medial elevado, dando a impressão do ombro caído. O exame inicial que deve ser realizado é uma radiografia. A tomografia computadorizada normalmente não é necessária, sendo realizada em casos complexos ou fraturas da região medial. Essas fraturas, quando com pouco desvio, podem ser tratadas conservadoramente com imobilização. O tratamento conservador é realizado com uma imobilização em “8” ou uma tipóia simples para conforto do paciente por um período de 2 a 6 semanas. Não existe evidência de que um tipo de imobilização é melhor que o outro. Os riscos do tratamento conservador são pseudartrose, consolidação viciosa, dor crônica.   Nos estudos mais recentes tem-se cada vez mais optado pelo tratamento cirúrgico, uma vez que a taxa de pseudartrose (não consolidação), gira em torno de 15% com o tratamento conservador, principalmente nas fraturas com desvio ou encurtamento maior que 2 cm, cominuição, fraturas em “Z” e eminência de exposição. Atualmente outra indicação de tratamento cirúrgico é a necessidade do rápido retorno ao trabalho/esporte de acordo com o trabalho exercido por cada paciente.     No tratamento cirúrgico existem 2 opções principais, sendo que cada uma apresenta suas vantagens e desvantagens, podendo-se optar por uma placa e parafusos ou uma haste intramedular. Porém, cada caso é único e, portanto, deve ser discutido com o seu médico para optar pelo melhor tratamento. Complicações: infelizmente como em todos os procedimentos cirúrgicos existe um pequeno risco de complicações como: diminuição da sensbilidade inferior a incisão, lesão neurovascular, infecção, problemas de cicatrização da ferida, rigidez do ombro e risco anestésico. Pós-operatório: Manter tipóia por 2-4 semanas. Movimentos pendulares quando tolerados. Alongamento e fortalecimento após 4 semanas. Fixação da fratura com placa e parafuso   Fixação da fratura com haste intramedular bloqueada   Fratura da clavícula distal A fratura do terço distal da clavícula corresponde a 10-15% das fraturas da clavícula. Quando muito desviadas podem ser tratadas cirurgicamente com várias técnnicas, pois a chance de pseudartrose é em torno de 40%. Mesmo as fraturas com pouco desvio podem demorar para consolidar. Quando realizada a placa gancho ela deve ser retirara obrigatoriamente, após pelo menos 3 meses. Fratura cominuta e com desvio da clavícula distal A) Fixação com placa gancho | B) Fixação com placa de clavícula distal   A) Fixação com fio de kirschner (Phemister) | B) Fixação com âncoras + fio de kirschner Fratura da clavícula medial: A fratura do terço medial da clavícula corresponde a 0-5% das fraturas da clavícula, ou seja, são raras.

Formação cirurgião de ombro e cotovelo

7 de janeiro de 2019
A formação médica está cada vez mais longa, tanto no Brasil como no mundo, devido principalmente as novas tecnologias e tratamentos existentes . Esse tempo de formação é necessário para se aprender como tratar o paciente como um todo, as diversas patologias, os cuidados com os pacientes, indicações cirúrgicas, procedimentos cirúrgicos, cuidados pós-operatório e a reabilitação. Atualmente a formação do médico cirurgião de ombro consiste em pelo menos 3 etapas básicas: 6 anos: Formação na faculdade de medicina 3 anos: residência médica em ortopedia e traumatologia 1 ano: especialização em cirurgia do ombro e cotovelo 1-3 anos: mestrado em ciências médicas 3-5 anos: doutorado em ciências médicas E não para por aí. É um eterno aprendizado, com constante atualização pelos artigos publicados diariamente nas revistas médicas e congressos e ainda aprendemos com cada caso atendido e cirurgia realizada.

Dicas para auxiliar a sua consulta com especialista

7 de janeiro de 2019
Ao realizar a sua consulta com um médico especialista em cirurgia do ombro e cotovelo é importante responder algumas questões para auxiliar no seu diagnóstico e tratamento de sua lesão. Quando começou a doer sua articulação e qual a localização da dor? A dor só fica localizada no ombro ou irradia para o pescoço/cotovelo? Quais os movimentos ou atividades que pioram a dor? Piora ao dormir sobre o lado afetado? Teve algum trauma (batida) ou fratura prévia no ombro? Piora a sua dor no trabalho ou exercício? Você já realizou algum exame ou tratamento prévio (fisioterapia/infiltração) ? Já fez alguma cirurgia no local? Também existem alguns outros dados importantes: Faz algum esporte ou atividade física regular? Você tem alguma doença ou vício (tabagismo)? Toma algum remédio todos os dias? Tem alguma alergia a medicamento? Ao se atentar a essas questões fica mais fácil realizar o seu diagnóstico e realizar o seu melhor tratamento. Não se esqueça de levar seus exames (principalmente da coluna) e cartas de especialistas, caso tiver.

Anatomia do ombro

7 de janeiro de 2019
O ombro é a articulação com maior mobilidade do corpo humano. É uma articulação muito importante, pois ajuda a posicionar a mão no espaço para realizar as diversas atividades do nosso dia a dia. Ele é constituído por: 3 ossos: úmero, clavícula e a escápula 18 inserções musculares 3 articulações: glenoumeral, acrômio-clavicular e escápulotorácica Cartilagem articular Ligamentos Estruturas neurovasculares: nervos, artérias e veias Bursa       É necessário a integridade de todas essas estruturas para o funcionamento adequado dessa articulação. A anatomia de cada doença será explicada melhor em cada tópico. Confira o conteúdo do site.

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